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6º Domingo da Páscoa - Ano B - Jo 15,9-17

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“Vocês são meus amigos”

1 - LEITURA
O que diz o texto?
O evangelho deste domingo é a continuação daquele do domingo passado, mantendo uma profunda relação, porém com uma temática nova. Já no início, percebemos que o amor é o centro do relato que partilhamos. Podemos dividi-lo em três partes:
· O fundamento do amor (versículos 9-10);
· O mandamento do amor (versículo 11-15);
· A eleição de Jesus (versículo 16-17).
Na primeira parte, Jesus mostra o fundamento do amor: assim como o Pai o ama, do mesmo modo, Ele ama os discípulos. Por isso, pede-lhes que nunca O deixem de amar. Mais uma vez, mostra-se que o amor do discípulo se expressa na obediência ao Senhor, assim como Jesus obedece ao Pai. É interessante notar as comparações que Jesus faz nestes poucos versículos.
Na segunda parte, Jesus introduz o motivo de seu ensinamento: diz tudo isto para que seus discípulos sejam felizes como Ele é, para que vivam a alegria real e profunda. Dito isto, “promulgará” o mandamento do amor: que se amem uns aos outros, como Ele nos ama. Aqui está uma das principais chaves para entender todo o evangelho de Jesus Cristo. Como se expressa o amor na visão cristã? O amor se expressa no doar a vida pelos amigos. Jesus chama “amigo” a seus discípulos porque lhes contou tudo o que o Pai lhe ensinou, não lhes chama de “empregados” porque o empregado ignora o que faz o seu senhor ou empregador. O discípulo não é um mero empregado de Jesus, mas é amigo de seu Senhor. O título de “amigo” é um dos mais belos que o Senhor pode nos dar.
Por último, Jesus enfatizará novamente o mandamento do amor (versículo 17), porém, também insistirá que é Ele quem escolhe seus discípulos. Na Palestina, era comum que os discípulos escolhessem a alguns dos qualificados mestres judeus para segui-los. No caso de Jesus, é Ele mesmo quem escolhe seus discípulos. É Deus quem chama e elege para que o sigam. Nesta última parte, se demonstra mais uma vez o que partilhamos no texto do domingo passado: Jesus envia seus discípulos para que dêem muitos frutos e para que peçam em seu Nome ao Pai, tudo o que necessitem.
Vendo o texto em sua totalidade é surpreendente o que se lê. Não se duvida do amor de Cristo por seus discípulos, porém é realmente incrível que o Senhor o compare com o amor que o Pai tem por Ele. Isto é surpreendente e tem que nos levar a refletir com serenidade e seriedade.
Curiosidade: A preposição que em nosso texto se traduz por “como”, no original grego tem esta perspectiva comparativa e também uma nuança de fundamentação. Podemos traduzi-la também por “porque”. Ou seja, Jesus não somente nos ama “como” é amado pelo Pai, mas também “porque” é amado pelo Pai. Deus Pai se transforma assim no fundamento do amor. A conseqüência prática para nossa vida será direta: nós devemos amar os irmãos “como” Cristo nos ama e “porque” Cristo nos ama. Outros textos bíblicos para confrontar: Jo 10,14-15; Rm 5,6-8 e Lc 10,25-28.
Perguntas sobre a leitura
· Quais são as primeiras palavras de Jesus no texto que hoje partilhamos?
· Quais são os termos da comparação que Jesus realiza? Anotá-las separadamente para que fiquem bem claras.
· Que relação há entre amor e obediência; entre obediência e amor?
· O que é que Jesus fala para que seus discípulos possam ser felizes como Ele é?
· Em que consiste o “mandamento do amor?”
· Como se demonstra de maneira concreta e palpável que alguém realmente está amando?
· Por que os discípulos de Jesus não são chamados “empregados” por seu Senhor?
· O que Jesus quer significar ao chamar seus discípulos de amigos? Por que os chama assim?
· Quem escolhe ser discípulo de Jesus: cada um dos homens ou o próprio Jesus?
· O que Jesus recomenda a seus discípulos-amigos?
· Como termina o relato? Qual é a última indicação?

2 - MEDITAÇÃO
O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
· O que significa para mim hoje, ouvir Jesus dizer que assim como o Pai o ama Ele também me ama?
· Obedeço à palavra do Senhor? O que Jesus me diz para minha salvação?
· Como me impacta a obediência absoluta de Jesus ao Pai?
· Escuto o que Jesus hoje me diz para que eu seja realmente feliz?
· Como estou vivendo o mandamento do amor?
· Dou a vida pelos demais?
· Entrego-me com seriedade à experiência do amor?
· Vivo um amor “afetivo” quanto à intensidade e “efetivo” quanto ao dar-me e entregar a minha vida?
· Deixo que Jesus me chame de seu amigo?
· Quero realmente aceitar seu convite? Quero ser seu amigo?
· Deixo que Jesus me conte tudo o que lhe ensinou seu Pai para caminhar na alegria e felicidade?
· Aceito que Jesus me escolha como seu discípulo? Me alegra seu convite?
· Quero ser ramo da videira que é o próprio Jesus para dar muitos frutos?

3 - ORAÇÃO
O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Para fazer a oração, propomos esta série de versos, aparentemente anônimos, que marcam com clareza como o amor deve estar presente em todas as qualidades e virtudes da vida para que estas tenham sua justa medida.
A inteligência sem amor, te deixa perverso.
A justiça sem amor, te deixa implacável.
A diplomacia sem amor, te deixa hipócrita.
O êxito sem amor, te deixa arrogante.
A riqueza sem amor, te deixa avarento.
A docilidade sem amor, te deixa servil
A castidade sem amor, te deixa orgulhoso.
A pobreza sem amor, te deixa miserável.
A verdade sem amor, te deixa indiferente
A autoridade sem amor, te deixa tirano.
O trabalho sem amor, te deixa escravo.
A simplicidade sem amor, te deixa medíocre.
A oração sem amor, te deixa um farsante.
A lei sem amor, te escraviza.
A amizade sem amor, te deixa interesseiro.
A fé sem amor, te deixa fanático.
A cruz sem amor, se converte em tortura.
A vida sem amor... não tem sentido.

4 - CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Para suscitar uma autêntica contemplação com este texto, pode ser útil repetir algumas das frases que mais se destacam:
· Como eu vos amei...
· Dar a vida por seus amigos...
· Eu vos chamo amigos...
· Fui eu que vos escolhi...

5 - AÇÃO
Com que me comprometo? Com que nos comprometemos?
Proposta pessoal
· Crescer em obediência a Jesus no aspecto em que hoje me encontro mais debilitado e vulnerável.
Proposta comunitária
· Estabelecer um diálogo e um saudável confronto de idéias, em teu grupo, utilizando-se das frases que aparecem na oração deste exercício de Lectio Divina.

CELAM/CEBIPAL – SOCIEDADES BIBLICAS UNIDAS
Pe. Gabriel MESTRE

Bento XVI: Jesus tinha um segredo

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Palavras antes do Ângelus de hoje

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu neste domingos ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
* * *
Caros irmãos e irmãs!Este ano, nas celebrações dominicais, a liturgia propõe para a nossa meditação o Evangelho de São Marcos, do qual uma singular característica é o assim chamado «segredo messiânico», o fato de Jesus não querer que por enquanto se saiba, fora do grupo restrito dos discípulos, que Ele é o Cristo, o Filho de Deus. Eis, então, que sempre volta a exortar, seja os apóstolos, seja os doentes, que cuidem para não revelar a ninguém sua identidade. Por exemplo, o trecho evangélico deste domingo (Mc 1, 21-28) narra um homem possuído pelo demônio, que de repente começa a gritar: «Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste nos arruinar? Sei quem és: o santo de Deus!». E Jesus o intima: «Cala-te! Sai dele!». E rapidamente, nota o evangelista, o espírito maligno, com gritos agonizantes, sai daquele homem. Jesus não só expulsa os demônios das pessoas, libertando-as das piores escravidões, mas impede aos próprios demônios de revelarem sua identidade. E insiste sobre este «segredo» porque está em jogo o sucesso de sua missão, da qual depende nossa salvação. Sabe, de fato, que para libertar a humanidade do domínio do pecado, Ele deverá ser sacrificado sobre a cruz como verdadeiro cordeiro pascal. O diabo, por sua vez, busca dissuadir-lhe para derrotá-lo sob a lógica humana de um Messias poderoso e cheio de sucesso. A cruz de Cristo será a ruína do demônio, e é para isso que Jesus não deixa de ensinar aos seus discípulos que, para entrar na sua glória, Ele deve padecer muito, ser rejeitado, condenado e crucificado (cf. Lc 24, 26), pois o sofrimento faz parte de sua missão.
Jesus sofre e morre na cruz por amor. Desse modo, Ele deu sentido ao nosso sofrimento, um sentido que muitos homens e mulheres de todas as épocas entenderam e tornaram seu, experimentando serenidade profunda também no amargor de duras provas físicas e morais. E justamente «a força da vida no sofrimento» é o tema que os bispos italianos escolheram para a conhecida Mensagem por ocasião da atual Jornada pela Vida. Uno-me de coração às suas palavras, nas quais se vê o amor dos pastores pelo povo, e à coragem de anunciar a verdade, a coragem de dizer com clareza, por exemplo, que a eutanásia é uma falsa solução para o drama do sofrimento, uma solução indigna do homem. A verdadeira resposta não pode ser a da morte, por mais que seja «doce», e sim o testemunho do amor que ajuda a enfrentar a dor e a agonia de forma humana.
Tenhamos certeza de uma coisa: nenhuma lágrima, nem de quem sofre, nem de quem lhe está próximo, se perde diante de Deus.
A Virgem Maria guardou em seu coração de mãe o segredo de seu Filho; compartilhou com ele a hora dolorosa da paixão e da crucifixão, apoiada na esperança da ressurreição. A Ela confiamos as pessoas que estão em sofrimento e quem se esforça todos os dias por seu sustento, servindo a vida em todas as suas fases: genitores, agentes da saúde, sacerdotes, religiosos, pesquisadores, voluntários e muitos outros. Rezamos por todos eles.
[Tradução: José Caetano. Revisão: Aline Banchieri.
© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

Comentário do Evangelho Dominical – Mt 22,15-21

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Dai a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus

(XXIX Domingo do Tempo Comum - 09/10/2008)

No Evangelho deste domingo, os fariseus tentam fazer com que Jesus se contradiga através de um plano bem articulado, definido pelo próprio Jesus como plano hipócrita. Temos que ter em mente que nem todos os fariseus do tempo de Jesus eram iguais, como também nós cristãos de hoje. De fato, o “verdadeiro” fariseu era aquele que vivia a própria fé com autenticidade, pela qual as práticas externas derivavam da observância da lei de Deus como fruto de uma vida plasmada pela escuta obediente da Palavra de Deus. O verdadeiro fariseu sabia ser acolhedor, misericordioso e certamente teria prestado socorro ao samaritano perseguido e caído pela estrada de Jerusalém a Jericó.

Mas os fariseus que encontramos no Evangelho de hoje são hipócritas. Chamam Jesus de “Mestre”, mas não o seguem. Pedem-lhe qual seja o caminho para conhecer a verdade, mas não o percorrem. Depois, perguntam acerca da verdade, mas querem aquela cômoda, a verdade subjetiva, aquela que pode ser dominada, manipulada a seu bel prazer. A visão parcial destes fariseus ligada ao culto, mas desligada da vida, e, portanto, não incidente na vida mesma, impossibilita-lhes compreender e conhecer a Verdade. Estes fariseus são da mesma raça daqueles que Jesus reprovou na parábola do bom samaritano como incapazes de amar o próximo, mesmo se sentindo iludidos de ser amados por Deus só porque observavam as leis cultuais. Estes fariseus são muito espertos. É a esperteza cruel de quem busca os próprios interesses: eliminar Jesus porque ele incomoda. Jesus não deve ser acolhido, pois atrapalha os planos deles. Então, armam de tudo para confundí-lo e prendê-lo com a célebre frase: “é lícito ou não pagar o imposto a César?”

Ironia do Evangelho. Estes fariseus elaboraram a cilada para eles mesmos. Na resposta, Jesus desmascara a mesquinharia da fé deles. Ora, o povo de Israel vivia sob o domínio dos romanos. Um sinal de domínio dos romanos sobre o povo era exatamente o excesso de impostos. E então? Deus quer ou não que se pague o imposto a César? Se Jesus tivesse respondido sim, teria ido contra o povo que era sobrecarregado pelas taxas, especialmente pelos hostis zelotas, mas teria como aliados os romanos, os fariseus e os sacerdotes judaicos que dos romanos gozavam de alguns privilégios (sempre interesseiros); se tivesse respondido não, poderia ser acusado como rebelde ao imperador e ser condenado. Dessa vez, os fariseus acham mesmo que Jesus está sem saída. Mas, Jesus não cai na armadilha deles, não se deixa determinar pela pergunta como ela foi formulada. Responde a ela, mas vai muito além. Com a sua resposta, Jesus evita tal cilada, recuperando integralmente os dados da realidade. Ele revela às pessoas a sua identidade. “De quem é a imagem sobre a moeda?” O denário era uma moeda romana com o qual eram pagas as taxas. E no tempo de Jesus, o denário de prata tinha a imagem do imperador Tibério Cesar. Então, que se devolva a César aquilo que é de César, isso não representa problema nenhum pra Jesus. Por outro lado, Jesus acrescenta: mas, devolva a Deus o que é de Deus. Com isso, Jesus quer fazer entender que a pergunta sobre o imposto não diz respeito diretamente a Deus e que neste âmbito César não está em concorrência com Deus.

Mas, que as disposições e exigências de César podem ser respeitadas desde que não contradigam a vontade de Deus. Isso significa que toda pessoa que vive numa civilização organizada com as próprias instituições políticas, sociais, econômicas, deve ser respeitada, sua dignidade de pessoa enquanto criada por Deus a sua imagem e semelhança. É no amor por cada pessoa humana que se dá a Deus aquilo que é de Deus e a César o que é de César. Não se pode separar fé, vida econômica, política e social. A pessoa cristã não pode estar dividida, de outro modo arrisca tornar-se como os fariseus hipócritas do Evangelho de hoje. Hoje sentimos falar tanto de liberdade religiosa, ou seja, que podemos ser cristãos e que podemos manifestar nossa fé abertamente e protegida pela lei. Mas, infelizmente, há também tantas pessoas no mundo impossibilitadas de praticar sua fé, como a China, onde, por exemplo, os cristãos são obrigados a abortar o segundo filho.
Que possamos cada vez mais devolver a Deus o que é dele, colocá-lo em primeiro lugar na nossa vida, e abrirmos o nosso coração à escuta acolhedora da sua Palavra que nos liberta e nos faz capazes de entender que somos profundamente amados por ele.


Fonte: Padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento

Comentário do Evangelho Dominical – Jo 3,13-17

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Cruz: loucura ou exaltação de amor?

(Exaltação da Santa Cruz – 14/09/2008)

A exaltação da cruz é uma solenidade que soa muito estranha para aqueles que não conhecem nossa fé cristã, porque questiona como nos seja possível exaltar um objeto que serviu para uma atrocidade tão grande contra o corpo do nosso Salvador? Os não cristãos sempre colocam a interrogação: por que exaltar a cruz, quando esta é um instrumento de sofrimento e de morte? Porque entre tantas coisas bonitas da nossa fé, falar da cruz se faz tão necessário?
No Antigo Testamento (I leitura), os israelitas estavam morrendo em grande quantidade porque uma praga de serpentes tinha caído sobre eles como resultado de seus pecados: “Pecamos, falando contra o Senhor”.

Diante disso, o que fez Moisés? Ele intercedeu a Deus. Para resolver este problema de morte, ele não se voltou para si mesmo nem para outro ser humano, mas para Deus. Quantas vezes a Bíblia nos mostra pessoas que enfrentaram e venceram suas adversidades com a oração confiante. Os israelitas erraram, viram a conseqüência do seu pecado, mas rezaram. E nós? O que fazemos? Como lidamos com os nossos pecados, com as nossas provações? Será que nos preocupamos com elas e queremos com as nossas próprias forças resolvê-las? Ou as entregamos com confiança a Deus?

Moisés implorou a Deus como poderia fazer para salvar o povo das serpentes venenosas. Ele não fez um plano próprio, mas ele pediu a Deus para abençoá-lo. Ele simplesmente rezou. E a esta sua ação Deus respondeu. Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze, e a colocasse sobre uma haste. Toda pessoa que fosse mordida e olhasse para ela viveria.

O Evangelho (Novo Testamento) cumpre definitivamente este ato de amor do Senhor para com o seu povo através da cruz de Jesus que tira o pecado do mundo: “do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”.

Os dois textos chamam a atenção para três pontos: a serpente de bronze livrava das serpentes que matavam – assim o Filho do homem libertará da morte; a serpente tinha sido levantada numa haste por Moisés – o Filho do Homem será elevado quando for pregado na cruz e glorificado; finalmente, para ser salvo e viver é necessário olhar para a serpente de bronze – dirigindo o olhar para o crucifixo com fé, o cristão terá a vida eterna.

Hoje, dois mil anos depois, a mensagem continua atual: “olhe e viva”. Olhe para Jesus e não para você, para o que você tem feito ou pode fazer, olhe para o que Jesus fez por você. A resposta para seu pecado, sua provação, seu problema, seja ele qual for é a confiança em Deus na oração.

A cruz de Cristo, portanto, foi necessária para nossa salvação, por isso, nos voltamos para ela com outros olhos. E, se foi necessária para Cristo, certamente é pra nós também. Se prestarmos um momento de atenção: todos carregamos uma cruz no nosso cotidiano. E aí está o grande significado da cruz para nós cristãos: nós sempre vemos nela Jesus crucificado, aquele que foi destinado a livrar-se da morte e mostrar os sinais da ressurreição; e, isto nos enche de confiança e esperança. No enfrentar as adversidades de cada dia e no sofrer as injustiças e maldades de todo tipo, é para nós grande consolação dirigir o olhar para aquele que foi ferido e a repensar o quanto ele sofreu em matéria de perseguição, para compreender que como ele também nós, tendo enfrentado também as nossas, somos destinados a receber a vida eterna no fim do nosso itinerário terreno.

E não vamos nos iludir: quem rejeita a cruz ou procura fugir dela, quem sabe colocando-a nas costas de outros, sabe que mais cedo ou mais tarde deverá carregar uma de peso equivalente àquelas que não quis carregar anteriormente, isto porque a cruz é inevitável, mas é necessária. Em toda cruz há sempre um início de ressurreição destinado a se cumprir; e, mantendo o olhar fixo para este instrumento que nosso Senhor abraçou para nos salvar (“humilhou-se obediente até a morte, e morte de cruz”), nossa língua não se canse de proclamar: “Jesus Cristo é o Senhor” (II leitura).




Comentário do Evangelho Dominical – Mt 14,22-33

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Coragem, sou Eu!
(XIX Domingo do Tempo Comum – 10/08/2008)

O Evangelho deste domingo nos mostra como Deus se faz presente na nossa vida também nas horas difíceis, nos momentos nos quais mais nos sentimos sozinhos e abandonados. Também indica como por meio da fé podemos descobrir e recuperar aqueles sentimentos de calma, paz, serenidade e segurança que só Jesus é capaz de nos conceder para superar todas as adversidades.

No domingo passado, vimos que a multiplicação dos pães foi um fato extraordinário na vida dos discípulos e da multidão. Esta empolgada e cansada da corrupção e opressão dos chefes políticos da época, já começa a sonhar com Jesus como um líder político que livraria o povo de tudo isso. Por isso, é que Jesus obriga os discípulos a se afastarem imediatamente. Ele não quer colocar em risco a correta compreensão da sua missão. Ele sabe que os discípulos têm uma facilidade enorme para deixar-se levar pelo entusiasmo do povo. O seu reino não é de cunho político, mas espiritual.
Assim, depois de se despedir da multidão e mandar os discípulos atravessarem o lago, Jesus subiu ao monte para orar a sós e aí ficou até as três horas da manhã. A esta altura, a barca dos discípulos já estava longe e era agitada pelas ondas, por causa do vento que soprava em direção contrária. A barca sem Jesus estava corria grande perigo.

Mesmo não nos encontrando numa barca, nem atravessando um lago, freqüentemente, nos encontramos numa situação semelhante àquela dos discípulos. Também nossa barca é agitada por mil preocupações, angústias, provações, vivemos cercados pelas ondas de instabilidade em todos os campos: econômico, afetivo, político, social, atmosférico; tudo ao nosso redor sopra como um vento contrário. Usamos todas as nossas forças e fatigamos para chegar à terra firme, mas não conseguimos avançar, continuamos parados diante das mesmas dificuldades. É como se estivéssemos completamente sozinhos, sem a ajuda de ninguém.

Sem dúvida, o próprio fato de Jesus ter mandado os discípulos sozinhos na barca mostrava que eles deviam se acostumar ao fato de que ele nem sempre estaria presente de maneira visível; mas, mesmo não estando presente visivelmente, ele estava com eles. Quando sentimos que estamos em perigo, confusos, encurralados... Jesus vem ao nosso encontro, mas de um modo diverso como esperamos, pode até parecer que não seja ele, pode parecer uma ilusão (os discípulos pensavam que fosse um fantasma), existe sempre o medo de ter uma nova desilusão. Mas Jesus vem ao nosso encontro exatamente nesta situação de perigo, de sofrimento, ele caminha conosco sobre as águas agitadas, sobre as nossas contradições, sobre os nossos pecados. Podemos afundar nos nossos pecados, como se afunda nas águas, mas podemos também ir mais adiante, confiar no Senhor que nos estende a mão. É um desafio que Jesus nos lança: superar o recuo que fazemos quando temos medo para nos lançarmos numa experiência que nos supera, que supera o nosso pecado, a nossa fragilidade.

Quem nunca teve a experiência de aprender a nadar? No início, o medo nos leva a afundar, só quando nos abandonamos com confiança, é que começamos a boiar. Eis, pois, o convite de Jesus: “Coragem! Sou eu, não tenhais medo!”. É ele que nos sustenta, nós devemos ter a coragem de confiar nele para a situação na qual estamos vivendo por mais instável que ela seja. De fato, a presença de Jesus afasta todo tipo de medo. O medo se vence com a fé. Os discípulos têm todos os motivos para ter coragem, esperança e confiança. Quando Jesus diz: “sou eu!”, ele assegura que não é um fantasma, mas aquele que eles conhecem e que onde ele está, aí há segurança e vida e não há lugar para medo e perigo.

Pedro está disposto a se arriscar caminhando sobre aquelas ondas agitadas em meio ao vento impetuoso. Ele acredita na Palavra de Jesus que diz: “Vem!”. Mas quando sente o vento, se distrai de Jesus, concentrando-se no vento. Assim, o medo de novo prevalece sobre ele e ele começa a afundar, e, com muito medo, grita: “Senhor, me salve”. Imediatamente, Jesus estende a mão. E diz: “homem de pouca fé, porque duvidaste?” Em Pedro se manifesta aquilo que nos coloca em perigo e aquilo que nos faz superar o perigo. Tudo depende de para onde fixamos a nossa atenção, do que domina nosso coração.

Podemos ter o olhar voltado para Jesus e ter confiança nele e na sua palavra, ou podemos estar dominados pela ameaça e o medo diante do perigo. Quando mais nos deixamos dominar pelo medo, afundamos nele. Quanto mais fixamos o olhar em Jesus, mais cheios de tranqüilidade e confiança seremos. Se nós olharmos somente pra ele e tivermos a coragem de pegar na mão que ele estende, teremos um sustento seguro e venceremos todo e qualquer desafio.

Fonte: Padre Carlos Henrique

Comentário do Evangelho Dominical - Mt 13, 44-52

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O essencial é invisível aos olhos

(XVII Domingo do Tempo Comum – 27/07/2008)


Já vimos na parábola do semeador que a boa semente só pode produzir bom fruto se cair em terra boa, ou seja, que a eficácia da mensagem da Palavra de Deus depende fundamentalmente daqueles que a acolhem e a praticam; com a parábola da semente de mostarda e a do fermento vimos que se ao início quando a Palavra é semeada em nós dê pouco fruto, isto não é o caso de desanimarmo-nos, pois sendo ela de Deus depois de todo o processo de desenvolvimento, terá uma grande eficácia; também vimos com a parábola do joio e do trigo, reforçada por uma das parábolas que veremos hoje, a rede de pesca, mostram que a convivência entre bons e maus permanece nesta vida, e principalmente o duelo entre bem e mal que existe dentro de nós permanece, mas não é definitivo e, sobretudo que com a sua paciência, Deus vai tolerando o nosso pecado, sempre dando uma nova chance até compreendermos que ele é a razão última da nossa vida. E o Evangelho deste domingo explica tudo isso quando fala do valor do Reino, da alegria infinita proveniente da descoberta deste valor e do esforço para se abrir e aceitar este reino, o que é ilustrado pelas parábolas do tesouro e da pérola.
Com toda certeza, todos nós de vez em quando passamos pela experiência de terminar o dia com a mente totalmente cansada e o coração angustiado. Passamos o dia correndo de lá pra cá para dar conta de tantas ocupações. Trabalhamos, nos cansamos, ajudamos os outros, fazemos muitas coisas, mas no final de tudo sentimos que nos falta algo, percebemos um vazio, ao qual não sabemos dar um nome. É justamente para essa sensação de vazio, de falta de plenitude, que Jesus nos conta a parábola do tesouro e da pérola. “O reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” e “o reino dos céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”.
Na primeira parábola, que nos soa tão familiar, já que parece que estamos ouvindo mais uma história de botija. Na verdade, no tempo de Jesus e até um tempo atrás, era uma coisa muito comum enterrar jóias e coisas de valor dentro de casa ou no campo por não existirem ainda os bancos e o perigo constante de assaltos em tempo de guerras, ou nosso caso aqui no nordeste, basta lembrar os cangaceiros. Quanto à descoberta da botija, temos que admitir há muita lenda popular.
Enfim, o homem da parábola fica repleto de alegria quando acha o tesouro; diferentemente de nós, normalmente cheios de tantas ocupações e preocupações. Mas não devemos esquecer que aquele homem antes era assim também. Tinha a mente confusa e o coração atormentado, exatamente como pode estar acontecendo conosco hoje. Num belo dia, o homem encontrou o tesouro, e a sua vida mudou completamente. Tinha descoberto algo tão grande e maravilhoso, tão único e essencial, tão significativo pra ele a ponto de sacrificar todos os outros bens e sonhos para comprar aquele campo onde estava o tesouro. Na realidade, a partir daquele momento, todas as outras coisas tinham perdido o seu valor. Com o comprador que encontra uma pérola de grande valor acontece o mesmo.
Não serão as nossas tantas ocupações que nos tornarão felizes; nem o encontro com os outros nos realizará plenamente; como nem mesmo a nossa família corresponderá em tudo as nossas expectativas. Somente se descobrirmos (já que o tesouro está escondido) também algo de grande (Deus), somente então nos será doada a plenitude da alegria. Daí o esforço que temos que fazer para descobri-lo, ele não está à mostra como as outras riquezas, nem é atraente, muitas vezes nós o desconsideramos. Mas não nos devemos enganar, só este tesouro é que dá pleno significado a nossa vida.

No lago da Galiléia, há varias espécies de peixes que nadam sem distinção até serem pescados. Aqui na terra parece que dá no mesmo se nos interessamos por Deus ou não, mas nem sempre será assim. Haverá sim um juízo final. Mas ele tem paciência para esperar nossa conversão. Que tenhamos a mesma disposição do jovem rei Salomão, que não pediu a Deus saúde, nem riqueza nem poder, mas pediu um coração compreensivo (I leitura). Também nós peçamos um coração sábio para que deixemos de nos lamentar por aquilo que nos falta e nos dedicarmos ao que de fato é importante para nossa vida, a comunhão com Deus.


Fonte: Padre Carlos Henrique

Comentário do Evangelho Dominical – Mt 11,25-30

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Deus prefere os pequeninos

(XIV Domingo do Tempo Comum – 06/07/2008
Como deve ter sido difícil pra Jesus anunciar o seu Reino entre os homens! Pois, tantos foram os que o rejeitaram e tentaram de todos os modos atrapalhar a sua missão. Estamos falando dos muitos fariseus, escribas e doutores da lei, pessoas de maior prestígio na sociedade de então, que bateram de frente com Jesus e sua mensagem.

Mas no Evangelho de hoje, Jesus toma uma posição diante dessa situação com afirmações interessantes e inesperadas. Primeiramente, ele se dirige ao Pai com uma oração de louvor e de alegria, onde aparecem fortemente unidas a sua relação com o Pai e com os pequeninos, convidando estes últimos a acolherem o seu anúncio. Finalmente, ele justifica seu ato cuja autoridade vem desta relação especial com Deus.

Com certeza, nas suas muitas viagens, Jesus se deparou com muitas criancinhas, capazes de escutar as suas palavras melhor do que qualquer adulto, por causa de sua simplicidade; e, capazes de adentrar no mistério do Reino dos Céus pela confiança que depositavam em Jesus sem hesitação. Mas Jesus nestes pequeninos aos quais foi do agrado do Pai revelar todas as coisas reconhece também todos aqueles que são pequenos não tanto pela pouca idade, mas pelas características da criança, principalmente aquela de não ser auto-suficiente e sim, dependente totalmente dos pais. A estes pequeninos, normalmente os descartados da sociedade, os fariseus impunham-lhes aquele legalismo que aumenta enormemente as aplicações práticas da lei mosaica, quase que delas e não de Deus depende a salvação.

Mas Jesus veio trazer naquele tempo como hoje também uma liberdade profunda e interior, de todo legalismo e da submissão temerosa às leis humanas. Os pequenos, mesmo não tendo grandes dotes de inteligência e não possuindo toda a erudição da doutrina que tinham os fariseus, os escribas e os doutores da lei, conseguem mais do que estes a colher a verdade, a reconhecer em Jesus o Filho de Deus, aquele que veio libertar os oprimidos, a dar a liberdade aos escravos, a curar os contritos de coração, a anunciar um reino de paz e de justiça.

Assim, quando Jesus diz que o Pai escondeu estas coisas aos sábios e entendidos, não devemos pensar que a mensagem de Jesus seja acolhida pelas pessoas infantis, imaturas e ignorantes. A questão é que as pessoas que se acham “donas da verdade” e que estão sempre certas, a elas Jesus não pode dizer nada já que elas “não precisam de nada”, são auto-suficientes. Nós podemos e devemos empenhar o máximo possível a nossa inteligência e todas as nossas forças em tudo aquilo que fizermos, mas isso não deve fazer com que nos consideremos os sabichões, pois todos nós temos os nossos limites. Sempre aparecerão perguntas às quais não saberemos responder e situações difíceis que não poderemos resolver.

Os pequeninos são os pobres em espírito, sabem que dependem de Deus, o reconhecem como Senhor e se alegram porque podem confiar no seu amor e na sua guia paterna. A pequenez interior, portanto, que consiste na humildade e na mansidão, é a condição necessária e ideal para saber reconhecer o Senhor como caminho, verdade e vida e segui-lo.

Se formos viver segundo a carne (II leitura), pensando que o cumprimento alienável de regras nos torna santos, estamos enganados. Isto apenas causará muito cansaço e fadiga. O povo vivia cansado e abatido por causa dos fardos pesados impostos pelos fariseus. Eis porque Jesus que tem o coração manso e humilde nos chama, oferecendo restauração e um jugo doce e suave não porque seja menos exigente, mas porque é ele a tornar suave o peso com a sua solidariedade. Ele é o primeiro dos pobres, dos simples, dos pequenos, dos mansos. Ele carregou o peso da cruz e isto é o que torna suportável e leve a cruz de quem o segue.

Ainda existe muita escravidão ao “jugo farisaico” no mundo de hoje, pelo qual ao invés de levar a Deus, fomenta o fascínio pagão do aparecer, do ter, do poder. É uma das escravidões mais profundas e alienadoras que tira a liberdade não só exterior, mas também interior, que é o dom mais precioso dado pelo Pai a nós. É uma lógica que impede às pessoas tornarem-se adultas, maduras, e responsáveis, pessoas que tenham plena dignidade na Igreja e saibam testemunhar no mundo com liberdade e coragem a própria fé. Só no abandono ilimitado a Deus, encontraremos tranqüilidade e liberdade interior.


Fonte: http://pecarlos.blospot.com/

Pregador do Papa: «nosso verdadeiro céu é Cristo Ressuscitado»

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Ascensão do Senhor

Atos 1, 1-11; Efésios 1, 17-23; Mateus 28, 16-20

«Por que ficais aqui parados, olhando para o céu?»

Na primeira leitura, um anjo diz aos discípulos: «Homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu». É a ocasião para declarar-nos as idéias sobre o que entendemos por «céu». Em quase todos os povos, por céu se indica a morada da divindade. Também a Bíblia usa esta linguagem espacial: «Glória a Deus no alto céu e paz na terra aos homens».

Com a chegada da era científica, todos estes significados religiosos da palavra «céu» entraram em crise. O céu é o espaço no qual nosso planeta e todo o sistema solar se movem, e nada mais. Conhecemos a ocorrência atribuída a um astronauta soviético, ao regresso de sua viagem pelo cosmo: «Percorri o espaço e não encontrei Deus em lugar nenhum!».

Assim, é importante que tentemos esclarecer o que entendemos nós, cristãos, quando dizemos «Pai nosso que estais nos céus», ou quando dizemos que alguém «foi para o céu». A Bíblia se adapta, nestes casos, ao modo de falar popular (também o fazemos atualmente, na era científica, quando dizemos que o sol «sai» ou se «põe»); mas ela bem sabe e ensina que Deus «está no céu, na terra e em todo lugar», que é Ele quem «criou os céus», e se os criou não pode estar «fechado» neles. Que Deus esteja «nos céus» significa que «habita em uma luz inacessível»; que dista de nós «o quanto o céu se eleva sobre a terra».

Desta forma nós, os cristãos, concordamos em dizer que o céu, como lugar da morada de Deus, é mais um estado que um lugar. Quando se fala dele, não tem sentido algum dizer «no alto» ou «abaixo». Com isso não estamos afirmando que o paraíso não existe, mas só que para nós nos faltam as categorias para poder representá-lo. Peçamos a uma pessoa completamente cega de nascença que nos descreva o que são as cores: o vermelho, o verde, o azul... Não poderá dizer absolutamente nada, nem outro será capaz de explicar-lhe, pois as cores são percebidas com a visão. Assim acontece conosco com relação ao além e à vida eterna, que estão fora do espaço e do tempo.

À luz do que dissemos, o que significa proclamar que Jesus «subiu ao céu»? A resposta está no Credo: «Subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai». Que Cristo tenha subido ao céu significa que «está sentado à direita do Pai», isto é, que também como homem entrou no mundo de Deus; que foi constituído, como diz São Paulo na segunda leitura, Senhor e cabeça de todas as coisas. Em nosso caso, «ir ao céu» ou «ao paraíso» significa ir para estar «com Cristo» (Fil 1, 23). Nosso verdadeiro céu é Cristo ressuscitado, com quem iremos encontrar-nos e formar um «corpo» depois de nossa ressurreição, e de modo provisório e imperfeito imediatamente depois da morte. Objeta-se às vezes que, contudo, ninguém voltou do além para assegurar-nos que ele existe de verdade e que não se trata de uma piedosa ilusão. Não é verdade! Há alguém que a cada dia, na Eucaristia, volta do além para dar-nos garantias e renovar suas promessas, se sabemos reconhecê-lo.

As palavras do anjo, «homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu?», contêm também uma reprovação velada: não devem ficar olhando para o céu e especulando sobre o além, mas viver à espera do retorno [de Jesus], prosseguir sua missão, levar seu Evangelho até os confins da terra, melhorar a própria vida na terra. Ele subiu ao céu, mas sem deixar a terra. Só saiu de nosso campo visual. Precisamente na passagem evangélica Ele mesmo nos assegura: «Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo».

Evangelho Jo 8, 31-42

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O evangelho nos traz nesse momento palavras que nos fazem mais fortes, que nos fortalece, pois é dela que vem um bom futuro para o nosso mundo, para nossa humanidade. É da palavra de Deus que vem o ensinamento da verdade, e é essa verdade que o evangelho quer nos falar hoje, verdade esta que é o Pai, Filho e Espirito Santo.


Quem ler esta palavra ficará livre, mas devemos está nos perguntando como os judeus, nós somos escravos para precisar de liberdade? e jesus nos responde que nós somos escravos, não que nós sejamos empregados de algum senhor de escravos, e sim escravos do pecado. Existem pecadores fanáticos, que são aqueles que gostam daquele pecado em que está cometendo.

Muitos de nós sabemos que somos filhos de Deus, mas não lembramos que temos um irmão que ao mesmo tempo também é nosso Pai e ele não foi enviado por si próprio e sim o Pai que lhe enviou para que pudesse pregar a palavra do Pai e assim morrer por nós e pelos nossos pecados.

Evangelho Jo 8, 21-30

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Hoje, o evangelho nos traz a história de uma das vezes em que Jesus pregava aos judeus. Jesus tentava mostrar que era o Filho Amado de Deus, citando várias frases para ver se eles percebiam que ele é o Salvador.

No entanto, hoje é a continuação ao evangelho de ontem. E no texto de ontem falava sobre o julgamento de uma adúltera e hoje Jesus nos fala que tem muitas coisas a dizer e a julgar de nós, também nos diz que o que enviou é verdadeiro e é justo. Ele foi para o alto, mas disse que um dia iremos procura-lo e diz também que morreremos como pecadores.

Temos que procurar Ele cada dia mais e não dizer que ele é nosso amigo a todos, se realmente você não é amigo Dele, ou seja, não busca Ele. Temos que ser amigos íntimos Dele, pois amigo é aquele que em nenhum momento da vida nos abandona, não se intriga ou afasta-se de nós. E esses momentos eles são as tristezas, as percas, as depressões, mas não só nos de alegria, no "ganhar", enfim todos os momentos bons.

Evangelho Jo 8, 1-11

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O evangelho de hoje é conhecido pela famosa frase “Quem não tiver pecado atire a primeira pedra”, que é tirada do evangelho de hoje.

Ele nos traz a história de uma mulher que foi apresentada a Jesus devido a pratica do adultério, que segundo a lei dos fariseus elas deveriam ser morta a pedradas. Mas Jesus desenhou na areia, se virou para eles e disse “Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!”.

Então esse texto nos leva a refletir, que muitas vezes nós queremos julgar os pecados dos outros, principalmente quando até cometem o ato do adultério ou da não castidade, e só falta querermos matar essas pessoas, assim como foi feito no evangelho, e sim temos que fazer com que aquela pessoa se converta da prática desses atos.

Nós cristãos somos convidados e ajudados a buscarmos o arrependimento, de buscarmos a conversão, e ela foi orientada no momento em que o ministro extraordinário da eucaristia ou o sacerdote colocou as cinzas em nossa cabeça dizendo “converteis-vos e credes no evangelho”. Então temos que tentarmos nos converter com o auxílio do nosso poderoso pai e melhor amigo, Jesus Cristo.

Comentário do Evangelho do 5° domingo da Quaresma

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No Evangelho de JO 11, 1-45 para este domingo 5° da Quaresma fala-nos que Jesus ressuscita seu amigo Lázaro.


Não basta que choremos pelos nossos amigos diante de algumas situações, é necessário que os ressuscitemos quando necessário, assim como Jesus ressuscitou Lázaro, mesmo quando ninguém creditava que tivesse mais jeito para aquele que já estava morto, há quatro dias. Ressuscitamos um amigo, quando sentimos compaixão dele, diante de tantas situações de morte em que vive e o resgatamos para a vida com dignidade dando-lhe uma palavra capaz de transformá-lo novamente em um ser vivo. Pensemos nisso e saiamos da pena para a compaixão.


Por João Júnior