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Deputados passam acordo entre o Brasil e o Vaticano

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BRASILIA, 27 Ago. 09 / 02:32 pm (ACI).- A Câmara de Deputados do Brasil aprovou o acordo entre o Brasil e a Santa Sé, que reafirma a personalidade jurídica da Igreja Católica no país e contempla o ensino religioso nas escolas; assim como isenção do pagamento de impostos pelas instituições religiosas.

Conforme informa a Conferência Nacional de Bispos Brasileiros (CNBB), o acordo que reconhece o estatuto jurídico da Igreja no país, foi aprovado pelo parlamento na quarta-feira 25 de agosto à noite.

O relator da Comissão da Constituição e Justiça, Antonio Carlos Biscaia, citou cada um dos 20 artigos do acordo assinado entre o presidente Luiz Inácio “Lula” Da Silva e o Papa Bento XVI em novembro de 2008 no Vaticano; e precisou que "todos estão em consonância com o ordenamento jurídico brasileiro e com a Constituição Federal".

"Outros países como a Itália aprova acordos semelhantes com o Vaticano e outras religiões. O Congresso tem legitimidade para aprovar tratados e acordos internacionais", adicionou.

O presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, assinalou em uma entrevista concedida à agência EFE semanas atrás que " O acordo não fere a Constituição, não fere o Estado laico e não reivindica nenhum privilégio para a Igreja Católica. O acordo integra, em um único texto, aquilo que já está na legislação do país, na Constituição e na jurisprudência ".

A norma reconhece legalmente o matrimônio pela Igreja, indicou ANSA. Espera-se agora a aprovação do Senado brasileiro.


Fonte: ACI Digital

As estatísticas pós-Vaticano II provam!

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A evidência está nos fatos!

Padres em exercício:
1965 - 58.000
2002 - 45.000

Ordenações:
1965 - 1.575
2002 - 450

Paróquias sem padre:
1965 - 549 (cerca de 1%)
2002 - 2.928 (cerca de 15%)

Seminaristas:
1965 - 49.000
2002 - 4.700

Freiras:
1965 - 180.000
2002 - 75.000

Frades:
1965 - 12.000
2002 - 5.700

Jesuítas:
1965 - 5.277
2002 - 3.172

Franciscanos:
1965 - 2.534
2002 - 1.492

Christian Brothers:
1965 - 2.434
2002 - 959

Redentoristas:
1965 - 1.148
2002 - 349

Colégios Católicos:
1965 - 1.566
2002 - 786

Estudantes de Colégios Católicos:
1965 - 700.000
2002 - 386.000

Escolas Paroquiais:
1965 - 10.504
2002 - 6.623

Estudantes de Escolas Paroquiais:
1965 - 4,5 million
2002 - 1,9 million

Batismo de Crianças:
1965 - 1,3 million
2002 - 1 million

Batismos de Adultos (conversões):
1965 - 126.000
2002 - 80.000

Casamentos Católicos:
1965 - 352.000
2002 - 256.000

Anulamentos:
1965 - 338
2002 - 50.000

Presença Regular à Missa - estudo no.1:
1958 - 74% 74% dos Católicos (pesquisa Gallup)
1994 - 26.6% (estudo da Notre Dame)

Presença Regular à Missa - estudo da Fordham University:
1965 - 65% dos Católicos
2000 - 25%

Misc. (fonte, National Catholic Reporter)
77% acreditam que Católicos não precisam assistir à Missa aos Domingos
65% acreditam que Católicos possam se divorciar e casar novamente
53% acreditam que Católicos possam fazer aborto
10% acreditam no ensinamento da Igreja com relação ao controle de natalidade (fonte: pesquisa da Notre Dame)
70% acreditam que a Eucaristia seja uma "lembrança simbólica" de Nosso Senhor (pesquisa da New York Times)

Colunata da Praça de São Pedro, em restauração

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A colunata de Gian Lorenzo Bernini, que abraça a Praça de São Pedro, está sendo restaurada desde o mês de março.

Os trabalhos, apresentados no dia 11 de junho, seguiram a lógica da série de Bernini para reduzir ao máximo o impacto sobre a grande praça, que continua sendo usada da forma habitual.
Está previsto que a restauração dure entre quatro e cinco anos e custe cerca de 20 milhões de euros; ela foi precedida por quatro meses de análise do estado atual da colunata.
O responsável pela direção artística dos trabalhos de restauração e diretor dos Museus Vaticanos, Antonio Paoulucci, ofereceu alguns detalhes da obra nesta quinta-feira, através dos microfones da Rádio Vaticano. + Leia mais

Homilia do Papa ao inaugurar o Ano Sacerdotal

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 19 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou nesta sexta-feira à tarde, ao inaugurar o Ano Sacerdotal, durante as vésperas da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que ele presidiu na Basílica Vaticana.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Na antífona do Magnificat, dentro de pouco, cantaremos: “O Senhor nos acolheu em seu coração”, “Suscepit nos Dominus in sinum et cor suum”. No Antigo Testamento, fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade: em referência ao coração de Deus, o homem é julgado. Por causa da dor que seu coração sente pelos pecados do homem, Deus decide o dilúvio, mas depois se comove diante da fraqueza humana e perdoa. Depois, há uma passagem do Antigo Testamento em que o tema do coração de Deus se expressa de maneira totalmente clara: encontra-se no capítulo 11 do livro do profeta Oseias, em que os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirige a Israel na aurora de sua história: “Quando Israel era menino, eu o amei e do Egito chamei meu filho” (v. 1). Na realidade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e inclusive com ingratidão. “Mas quanto mais os chamava, tanto mais eles se afastavam de mim” (v. 2). No entanto, Ele não abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois “meu coração se contorce dentro de mim, minhas entranhas comovem-se” (v. 8).

O coração de Deus se estremece de compaixão! Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja apresenta este mistério à nossa contemplação, o mistério do coração de um Deus que se comove e oferece todo o seu amor à humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como incomensurável paixão de Deus pelo homem. Não se rende diante da ingratidão, nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu; mais ainda, com infinita misericórdia, envia ao mundo seu Filho unigênito para que carregue sobre si o destino do amor destruído; para que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir a dignidade de filhos aos seres humanos escravizados pelo pecado. Tudo isso com um preço muito caro: o Filho unigênito do Pai se imola na cruz: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (cf. João 13, 1). Símbolo deste amor que vai muito além da morte é seu lado atravessado por uma lança. Neste sentido, uma testemunha ocular – o apóstolo João – afirma: “Um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água” (cf. João 19, 34).

Queridos irmãos e irmãs: obrigado, pois, respondendo ao meu convite, viestes em grande número a esta celebração, pela qual entramos no Ano Sacerdotal. Saúdo os senhores cardeais e os bispos, em particular o cardeal prefeito e o secretário da Congregação para o Clero, junto a seus colaboradores, e o bispo de Ars. Saúdo os sacerdotes e seminaristas dos colégios de Roma; os religiosos e religiosas e a todos os fiéis. Dirijo uma saudação especial a Sua Beatitude Ignace Youssef Younan, patriarca de Antioquia dos Sírios, que veio a Roma para visitar-me e manifestar publicamente a ecclesiastica communio (comunhão eclesial, N. da T.), que lhe foi concedida.

Queridos irmãos e irmãs: detenhamo-nos para contemplar juntos o Coração traspassado do Crucificado. Mais uma vez, acabamos de escutar, na breve leitura tomada da carta de São Paulo aos Efésios, que “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo – pela graça fostes salvos! – e com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, em Cristo Jesus” (Efésios 2, 4-6).
Estar em Cristo Jesus significa já sentar-se nos céus. No Coração de Jesus se expressa o núcleo essencial do cristianismo; em Cristo nos é revelada e entregue toda a novidade revolucionária do Evangelho: o Amor que nos salva e nos faz viver já na eternidade de Deus. O evangelista João escreve: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (3, 16). Seu Coração divino chama então nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos e a abandonar nossas seguranças humanas para fiar-nos d’Ele e, seguindo seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas.

Se é verdade que o convite de Jesus a “permanecer em seu amor” (cf. João 15, 9) se dirige a todo batizado, na festa do Sagrado Coração de Jesus, Dia de Santificação Sacerdotal, este convite ressoa com maior força para nós, sacerdotes, em particular nesta tarde, solene início do Ano Sacerdotal, que convoquei por ocasião do 150º aniversário da morte do Santo Cura de Ars. Vem-me imediatamente à mente uma bela e comovedora afirmação, referida no Catecismo da Igreja Católica: “O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus” (n. 1589). Como não recordar com comoção que diretamente desse Coração manou o dom do nosso ministério sacerdotal? Como esquecer que nós, presbíteros, fomos consagrados para servir, humilde e autorizadamente, ao sacerdócio comum dos fiéis? Nossa missão é indispensável para a Igreja e para o mundo, que exige fidelidade plena a Cristo e uma incessante união com Ele; isto é, exige que busquemos constantemente a santidade, como fez São João Maria Vianney. Na carta que vos dirigi por ocasião deste ano jubilar especial, queridos sacerdotes, eu quis sublinhar alguns aspectos que qualificam nosso ministério, fazendo referência ao exemplo e ao ensinamento do Santo Cura de Ars, modelo e protetor de todos os sacerdotes, em particular dos párocos. Espero que este meu texto vos sirva de ajuda e estímulo para fazer deste ano uma ocasião propícia para crescer na intimidade com Jesus, que conta conosco, seus ministros, para difundir e consolidar seu Reino, para difundir seu amor, sua verdade. E, portanto, “a exemplo do Santo Cura de Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis, também vós, no mundo de hoje, mensageiros de esperança, reconciliação e paz”.

Deixar-se conquistar totalmente por Cristo! Este foi o objetivo de toda a vida de São Paulo, a quem dirigimos nossa atenção durante o Ano Paulino, que já está terminando; esta foi a meta de todo o ministério do Santo Cura de Ars, a quem invocaremos particularmente durante o Ano Sacerdotal; que este seja também o principal objetivo de cada um de nós. Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil e necessário o estudo com uma atenta e permanente formação pastoral, mas é ainda mais necessária essa “ciência do amor”, que só se aprende de “coração a coração” com Cristo. Ele nos chama a partir o pão do seu amor, a perdoar os pecados e a guiar o rebanho em seu nome. Precisamente por este motivo, não podemos nos afastar nunca do manancial do amor que é seu Coração atravessado na cruz.

Somente assim seremos capazes de cooperar eficazmente com o misterioso “desígnio do Pai”, que consiste em “fazer de Cristo o coração do mundo”, desígnio que se realiza na história na medida em que Jesus se converte no Coração dos corações humanos, começando por aqueles que estão chamados a estar mais perto d’Ele, os sacerdotes. As “promessas sacerdotais” que pronunciamos no dia da nossa ordenação e que renovamos cada ano, na Quinta-Feira Santa, na Missa Crismal, voltam a nos recordar este constante compromisso. Inclusive nossas carências, nossos limites e fraquezas devem nos conduzir ao Coração de Jesus. Se é verdade que os pecadores, ao contemplá-lo, devem aprender a necessária “dor dos pecados” que volta a conduzi-los ao Pai, isso se aplica ainda mais aos ministros sagrados. “Como esquecer que nada faz a Igreja, Corpo de Cristo, sofrer mais que os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se convertem em “ladrões de ovelhas” (João 10, 1ss), seja porque as desviam com suas doutrinas privadas, seja porque as atam com os laços do pecado e da morte? Também para nós, queridos sacerdotes, aplica-se o chamado à conversão e a recorrer à Misericórdia Divina, e igualmente devemos dirigir com humildade incessante a súplica ao Coração de Jesus para que nos preserve do terrível risco de causar dano àqueles a quem devemos salvar.

Há pouco, pude venerar, na Capela do Coro, a relíquia do Santo Cura de Ars: seu coração. Um coração inflamado de amor divino, que se comovia frente ao pensamento da dignidade do sacerdote e falava aos fiéis com tons tocantes e sublimes, afirmando que “depois de Deus, o sacerdote é tudo!... Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu” (cf. Carta para o Ano Sacerdotal). Cultivemos, queridos irmãos, esta mesma comoção, seja para cumprir nosso ministério com generosidade e dedicação, seja para custodiar na alma um verdadeiro “temor de Deus”: temor de poder privar de tanto bem, por nossa negligência ou culpa, as almas que nos foram confiadas, ou de poder causar-lhes dano. Que Deus não o permita! A Igreja tem necessidade de sacerdotes santos, de ministros que ajudem os fiéis a experimentar o amor misericordioso do Senhor e sejam suas testemunhas convictas. Na adoração eucarística, após a celebração das Vésperas, pediremos ao Senhor que inflame o coração de cada presbítero com essa caridade pastoral capaz de fundir seu “eu” no de Jesus sacerdote, para assim poder imitá-lo na mais completa entrega de si mesmo. Que nos obtenha esta graça a Virgem Mãe, de quem amanhã contemplaremos com viva fé o Coração Imaculado. O Santo Cura de Ars vivia uma filial devoção por ela, até o ponto de que, em 1836, antecipando-se à proclamação do dogma da Imaculada Conceição, já havia consagrado sua paróquia a Maria “concebida sem pecado”. E manteve o costume de renovar frequentemente esta oferenda da paróquia à Santa Virgem, ensinando aos fiéis que “basta dirigir-se a ela para ser escutados”, pela simples razão de que ela “deseja sobretudo ver-nos felizes”. Que Nossa Senhora, nossa Mãe, nos acompanhe no Ano Sacerdotal que iniciamos hoje, para que possamos ser guias firmes e iluminados para os fiéis que o Senhor confia aos nossos cuidados pastorais. Amém!
[Tradução: Aline Banchieri.
© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

Novo site vaticano para Ano Sacerdotal

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A Congregação para o Clero lançou um site dedicado ao Ano Sacerdotal, inaugurado nesta sexta-feira por Bento XVI, http://www.annussacerdotalis.org/.
O cardeal Cláudio Hummes, OFM, prefeito da congregação vaticana, fez o anúncio através de um comunicado no qual explica que esta iniciativa pretende acompanhar a vida dos sacerdotes, de maneira particular ao longo deste ano.
O site “tem como específica finalidade a ajuda concreta, com notas espirituais, notícias várias e documentos, todos referentes ao Ano Sacerdotal”, esclarece o purpurado brasileiro.
“O Ano Sacerdotal está sendo muito bem recebido no mundo inteiro – constata o cardeal Hummes. A repercussão positiva é imediata. Participemos, portanto, com empenho e criatividade.”
O novo site está disponível em espanhol, italiano, francês, alemão e português.

Bento XVI: diante da crise, um novo modelo de desenvolvimento

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Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
queridos amigos:
Obrigado pela visita, que acontece no contexto de vossa reunião anual. Saúdo-vos com afeto e agradeço pelo que fazeis, com sincera generosidade, a serviço da Igreja. Saúdo e agradeço o conde Lorenzo Rossi di Montelera, vosso presidente, que traduziu com fina sensibilidade vossos sentimentos, expondo em grandes linhas a atividade da Fundação. Agradeço também aqueles que, em idiomas diferentes, quiseram testemunhar sua comum devoção. O encontro de hoje assume um significado e um valor particular à luz da situação que a humanidade toda vive neste momento. A crise financeira e econômica que atingiu os países industrializados, os emergentes e os que estão em vias de desenvolvimento demonstra que há que repensar alguns paradigmas econômico-financeiros dominantes nos últimos anos. Portanto, vossa fundação acertou ao discutir, neste congresso internacional celebrado ontem, o tema da busca dos valores e regras que deveriam orientar o mundo econômico para implementar um modelo de desenvolvimento mais atento às exigências da solidariedade e mais respeitoso da dignidade humana.

Alegra-me saber que examinastes, em particular, as interdependências entre instituições, empresas e mercado, partindo, de acordo com a encíclica Centesimus annus, de meu venerado predecessor João Paulo II, da reflexão segundo a qual a economia de mercado, entendida como “um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no setor da economia” (n. 42), pode ser reconhecida como um caminho de progresso econômico e civil apenas se estiver orientada para o bem comum (cf. n. 43). Esta visão, no entanto, deve estar acompanhada também por outra reflexão, segundo a qual a liberdade no setor da economia deve ser enquadrada “num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral”, uma liberdade responsável, cujo “centro seja ético e religioso” (n. 42). Oportunamente a encíclica mencionada afirma: “Tal como a pessoa se realiza plenamente na livre doação de si própria, assim a propriedade se justifica moralmente na criação, em moldes e tempos devidos, de ocasiões de trabalho e crescimento humano para todos” (n. 43).

Desejo que as pesquisas desenvolvidas em vosso trabalho, inspirando-se nos eternos princípios do Evangelho, elaborem uma visão da economia moderna respeitosa das necessidades e dos direitos dos frágeis. Como sabeis, em breve se publicará minha encíclica dedicada precisamente ao grande tema da economia e do trabalho: nela se destacarão quais são, para nós, cristãos, os objetivos a serem perseguidos e os valores a serem promovidos e defendidos incansavelmente para alcançar uma convivência humana realmente livre e solidária.

Constato também, como satisfação, tudo o que estais fazendo a favor do Pontifício Instituto para os Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI), a cujas finalidades, compartilhadas por vós, atribuo um grande valor para o diálogo inter-religioso cada vez mais fecundo. Queridos amigos: obrigado mais uma vez por vossa visita; asseguro a cada um de vós uma recordação na oração, enquanto vos abençoo de coração.
[Traduzido por Zenit
© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

Patrizio Polisca, novo médico de Bento XVI

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O Dr. Renato Buzzonetti se retira por motivos de idade

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 15 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI nomeou como subdiretor da Direção de Saúde do Estado da Cidade do Vaticano o Dr. Patrizio Polisca, que assume ao mesmo tempo o cargo de médico pessoal do Papa, segundo anunciou a Santa Sé nesta segunda-feira.
O Dr. Polisca substitui o Dr. Renato Buzzonetti, de 85 anos, que serviu o Vaticano durante os últimos quatro pontificados, a quem o Papa nomeou “arquiatra” (médico) pontifício emérito, como sinal de reconhecimento.
Patrizio Polisca, de 56 anos, especialista em cardiologia, anestesia, reanimação e professor no Instituto de Cardiocirurgia da Universidade Tor Vergata, de Roma, colaborava com Buzzonetti há algum tempo nos cuidados do pontífice.
Polisca é, além disso, presidente da Comissão Médica da Congregação para as Causas dos Santos e, em virtude deste cargo, escreveu um artigo na edição italiana de L’Osservatore Romano de 12-13 de junho, no qual explica os critérios que os médicos levam em consideração para declarar que uma cura é cientificamente inexplicável.
Por sua parte, o Dr. Buzzonetti trabalhou 44 anos nos serviços de saúde da Cidade do Vaticano, ocupando-se não somente dos papas, mas também de cardeais, bispos, sacerdotes religiosos e dependentes leigos da Santa Sé.
Ele prestou sua obra profissional com discrição e profissionalismo, sempre com espírito de abnegação e entrega à pessoa do Papa”, explica a edição desta terça-feira de L’Osservatore Romano, recordando que “ele gozou da máxima confiança do falecido João Paulo II, quem o nomeou como seu médico pessoal, e de Bento XVI, quem o confirmou neste cargo, ao conhecer suas qualidades profissionais e humanas nos anos em que, como cardeal, confiou-se aos seus cuidados”.
“Agora ele se retira à vida privada para recolher as lembranças de uma longa e singular carreira realizada à sombra da Cúpula da Basílica de São Pedro. A ele se dirige o reconhecido agradecimento pelo bem que pôde realizar a favor de tantas pessoas”, acrescenta L’Osservatore Romano.
Durante os 27 anos de pontificado, Buzzonetti foi a sombra de João Paulo II, a quem acompanhou em todas as viagens pelo mundo e esteve ao seu lado após o atentado que sofreu na Praça de São Pedro em 13 de maio de 1981, e durante as diferentes intervenções cirúrgicas às quais o Papa Karol Wojtyla foi submetido no Hospital Agostiniano Gemelli de Roma.

Fonte: Zenit

Secularização interna da Igreja

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Foto: Day Life
Bento XVI
Bento XVI alertou para a secularização interna que a Igreja enfrenta. Na celebração que presidiu na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, esta Quinta-feira, na Basílica de São João de Latrão, o Papa afirmou que a fé não pode ser dada como garantida.

"Mesmo dentro da Igreja enfrentamos o risco da secularização, que pode conduzir ao esvaziamento da eucaristia, em celebrações vazias, onde a participação de coração pleno era expresso na adoração mas também no respeito litúrgico".

Bento XVI alertou para a "tentação de reduzir a oração a momentos superficiais e deixar as atividades e preocupações tomarem conta de nós", um sintoma que indica "é sempre mais forte".
Durante a homilia da eucaristia o Papa afirmou que as palavras "este é o meu corpo, este é o meu sangue", tomadas do Evangelho de Marcos, "ressoam com notável poder evocativo ainda hoje".

Ao afirmar "este é o meu sangue", Jesus "apresenta-se como o verdadeiro e definitivo sacrifício, no qual se realiza a expiação dos pecados". Com o acréscimo da expressão "o sangue da aliança", Jesus "deixa claro que, graças a sua morte, finalmente se torna efetiva a aliança feita por Deus com seu povo", explicou o Papa.

Foi durante a última ceia que definitivamente se deu a nova aliança, "não confirmada por sacrifícios de animais, mas com o seu sangue, tornado sangue da nova aliança".

Bento XVI referiu que a Cruz "é mistério de amor e de salvação, que purifica a consciência da ‘opere morte', isto é, do pecado, e santifica-nos, esculpindo a nova aliança em nossos corações; a Eucaristia, renovando o sacrifício da Cruz, faz-nos capazes de viver fielmente a comunhão com Deus."

Novas faculdades da Congregação para o Clero

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Fala o secretário do dicastério, Dom Mauro Piacenza

ROMA, domingo, 7 de junho de 2009 (ZENIT.org).- O secretário da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza, falou na sexta-feira à Rádio Vaticano sobre as novas faculdades concedidas pelo Papa à Congregação para o Clero. Reproduzimos as considerações do arcebispo.

–Nos últimos dias houve uma grande repercussão a questão das “faculdades” concedidas pelo Santo Padre à Congregação para o Clero. De que realmente se trata?

Dom Mauro Piacenza: Não é uma simplificação de procedimentos ou um processo simplificado, mas um instrumento jurídico em continuidade e em coerência com o direito canônico vigente. Não se trata, muito menos, de um procedimento que se aplica automaticamente, mas que deve ser seguido só em alguns e muito bem determinados casos, ao prudente juízo da Sé Apostólica.

De fato, imutáveis e intactos são os direitos e os deveres dos Bispos no exercício da função judiciária. O Bispo deve vigiar sempre para que o presbítero seja fiel no cumprimento dos seus deveres ministeriais. O Bispo diocesano deve acompanhar os seus presbíteros com solicitude, também tutelando os seus direitos. A grande maioria dos sacerdotes vive serenamente, na vida ordinária, a própria identidade e desempenha fielmente o próprio ministério. A Santa Sé intervém de forma subsidiária, em casos particulares, para reparar o escândalo, restabelecer a justiça e emendar o réu.

–Na prática, em que implicam essas faculdades especiais?

–Dom Mauro Piacenza: Note-se que, infelizmente, algumas vezes podem ocorrer situações de grave indisciplina por parte do clero, onde os meios adotados, que visam a sua superação, não sejam eficazes e, em tais situações, corre-se o risco de procrastinar-se excessivamente, com grave escândalo para os fiéis e dano ao bem comum.

Com a intenção de promover a ‘salus animarum’, que é a suprema lei da Igreja, no dia 30 de janeiro último, o Sumo Pontífice concedeu à Congregação para o Clero algumas faculdades especiais. Precedentemente, também foram concedidas faculdades especiais a outros Dicastérios da Cúria Romana.

Trata-se, antes de tudo, da faculdade de tratar os casos de demissão do estado clerical “in poenam”, com a respectiva dispensa de todas as obrigações inerentes à ordenação, de clérigos que atentaram matrimônio mesmo só civilmente e que, admoestados, não se emendaram, persistindo em uma conduta irregular e escandalosa, e de clérigos que cometeram outros graves delitos contra o Sexto Mandamento do Decálogo.

A especial faculdade de intervir para infligir uma justa pena ou uma penitência, nos casos de violação externa da lei divina e canônica. Em casos realmente excepcionais e urgentes, quando se configurar a falta de vontade de emenda por parte do réu, se poderá também infligir penas perpétuas, sem exclusão da demissão do estado clerical, quando circunstâncias particulares assim o exigirem.

Naturalmente, todo e qualquer eventual caso deverá ser instruído através de um legítimo procedimento administrativo, ressalvado sempre o direito de defesa, que deve ser sempre garantido.

E, finalmente, a faculdade especial de declarar a perda do estado clerical dos clérigos que abandonaram o ministério por um período superior a 5 anos consecutivos e que persistam em tal ausência voluntária e ilícita do ministério.

Nada feito de modo automático. Não há “automatismo” nos tempos, os casos são avaliados singularmente e sempre em situações graves. Que ninguém pense superficialmente em algum tipo de simplificação genérica em matéria tão delicada. Nada de “automatismo”, mas de crivo e crivo rigoroso!

–Portanto, tais faculdades, de fato, ajudam aos sacerdotes?

–Dom Mauro Piacenza: Chegou-se à concessão de tais faculdades com o vivo desejo de contribuir para com o honrar a missão e a figura dos sacerdotes que, neste período difusamente marcado pela secularização, são agravados pela fatiga de ter que pensar e agir contracorrente, para a fidelidade à própria identidade e missão.

Os sacerdotes agem ‘in persona Christi Capitis et Pastoris’. Em meio ao rebanho a eles confiado, os presbíteros são chamados a prolongar a presença de Cristo, fazendo-se seu reflexo. Eis porque é necessária, ou melhor, indispensável, a tensão verso a perfeição moral, que deve habitar em todo coração autenticamente sacerdotal, sem dar lugar a falsos “angelicalismos”, mas tendo em vista a estrutura antropológica humana. Tal estrutura, ferida pelo pecado original, exige a contínua ascese do sacerdote, na fidelidade às promessas feitas no dia da Ordenação e com profundo respeito pelos intangíveis direitos de Deus.

Tudo isto é particularmente importante também para compreender a motivação teológica do celibato sacerdotal, porque a vontade da Igreja a tal propósito, encontra a sua motivação última na ligação de especialíssima conveniência, entre o celibato e a Ordenação. Tal ato sacramental configura o sacerdote a Jesus Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja. Por isso, a Igreja confirmou – no Concílio Vaticano II, repetidamente, no sucessivo Magistério Pontifício e nos Sínodos – a “firme vontade de manter a lei que exige o celibato livremente aceito e perpétuo para os candidatos a ordenação sacerdotal no rito latino”. O celibato sacerdotal é um dom que a Igreja recebeu e deseja guardar, convicta que é um bem para si mesma e para o mundo.

–Que deseja aos sacerdotes?

–Dom Mauro Piacenza: Esta Congregação espera que cada Bispo se empenhe, cada vez mais, com autêntica paternidade e caridade pastoral, para que os seus mais preciosos colaboradores saibam viver a disciplina eclesiástica como discipulado e possam viver a disciplina própria da vida sacerdotal com motivações interiores profundas, conscientes de que nada vale o afã do “fazer” quotidianamente, sem o “ser em Cristo”, tal como se atesta na experiência da Sua Divina Misericórdia.

Palavras do Papa

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Bento XVI lembra que cristão amadurecido é aquele que segue a Cristo, não às modas

Ao encontrar-se com os Bispos de Angola e São Tomé na última fase de sua viagem a África, o Papa Bento XVI lembrou que "o cristão de fé adulta e amadurecida não é o que segue as modas e as últimas novidades, mas sim aquele que vive profundamente enraizado na amizade com Cristo".

Da sede da Nunciatura Apostólica de Luanda, Bento XVI afirmou que "contra um relativismo difundido que nada reconhece como definitivo e porém, tende a defender como última medida o próprio eu e os seus caprichos, propomos outra medida: o Filho de Deus, que também é verdadeiro homem. Ele é a medida do verdadeiro humanismo".

O Pontífice precisou que a amizade com Cristo "abre-nos para tudo o que é bom e nos oferece o critério para discernir entre o erro e a verdade".

Do mesmo modo, advertiu que "a cultura e os modelos de comportamento estão cada vez mais condicionados e caracterizados pelas imagens propostas pelos meios de comunicação social". Neste contexto, disse, "são louváveis todos seus esforços por ter, também neste nível, uma capacidade de comunicação que lhes capacite para oferecer a todos uma interpretação cristã dos eventos, dos problemas e das realidades humanas".

Mais uma vez, o Santo Padre destacou as "dificuldades e ameaças" que encontra a família, a qual "tem uma particular necessidade de ser evangelizada e concretamente sustentada, porque além da fragilidade e instabilidade interna de tantas uniões conjugais, existe a tendência difundida na sociedade e na cultura de pôr em dúvida o caráter único e a missão própria da família fundada no matrimônio".

"Em vossa solicitude de pastores por cada ser humano, continuai elevando a voz em defesa do caráter sagrado da vida humana e do valor da instituição matrimonial e pela promoção do papel da família na Igreja e na sociedade, pedindo medidas econômicas e legislativas que as sustentem na geração e na educação dos filhos", indicou.

Bento XVI critica falsificações da religião católica

O Papa Bento XVI criticou na sexta-feira em Varsóvia, diante de 270 mil fiéis molhados pela chuva, as falsificações da religião católica, em plena polêmica provocada pelo sucesso mundial do filme "O Código Da Vinci". "Atualmente, como já aconteceu em séculos passados, pessoas ou grupos tentam falsificar a palavra de Cristo e retirar suas verdades do Evangelho", protestou o Sumo Pontífice. Na primeira grande missa de sua viagem de quatro dias a Polônia, o papa se esforçou para falar em polonês e emocionou os católicos presentes. O Papa alemão iniciou a homilia com uma homenagem ao "bem-amado antecessor" e lembrou que seu pontificado de 26 anos foi marcado por profundas mudanças políticas, tanto na Polônia como no mundo inteiro. Assim como João Paulo II, pediu aos poloneses, 90% católicos, que "continuem fiéis à palavra de Cristo, mesmo quando esta é exigente e humanamente difícil de compreender". Bento XVI insistiu na permanência da fé católica, transmitida ao longo de toda a história "de geração para geração". Também reiterou o pedido, repetido desde o início do pontificado, de "não ceder à tentação do relativismo e da interpretação subjetiva e seletiva das escrituras sagradas". "Segundo estas pessoas, esta verdade é muito incômoda para o homem moderno. Se trata de criar a impressão de que tudo é relativo e que, inclusive, as verdades da fé dependeriam da situação histórica e da avaliação humana", comentou.


Bento XVI pede que freiras e padres sejam "castos e sóbrios"

O papa Bento XVI pediu às freiras e aos padres de todo o mundo que sejam "castos e sóbrios" e evitem "o aburguesamento e a mentalidade consumista". O pedido do Papa foi feito aos superiores e superioras gerais dos institutos de Vida Consagrada e sociedades de Vida Apostólica que foram recebidos no Vaticano para uma audiência especial. "Para pertencer totalmente ao Senhor as pessoas consagradas devem manter um estilo de vida casto" assim como "renunciar à necessidade de aparentar" e manter "um estilo de vida sóbrio e modesto", afirmou o Papa em sua mensagem. Bento XVI denunciou "a cultura secularizada que penetrou na mente e no coração de muitos consagrados, que a entendem como uma forma de acesso à modernidade e de aproximação com o mundo contemporâneo", disse. O Papa teme também que os religiosos estejam afetados "pela insídia da mediocridade, do aburguesamento e da mentalidade consumista". "São necessárias decisões corajosas, tanto pessoais como comuns, que envolvam uma nova disciplina na vida das pessoas consagradas e as levem a descobrir a dimensão totalizante da 'sequela Christi' (seguimento de Cristo)", acrescentou. "Os consagrados e consagradas" não devem "se conformar com a mentalidade deste século, e sim se transformar e renovar continuamente o próprio compromisso, para poder discernir a vontade de Deus", concluiu.

Fontes: ACI Digital e Brasil Católico

Vaticano: «pequeno Estado para uma grande missão», segundo Papa

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Estado do Vaticano

Em seu discurso na comemoração do 80º aniversário dos Pactos Lateranense

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O Vaticano é «um pequeno pedaço de terra para uma grande missão», recordou hoje o Papa, ao concluir o concerto com o qual se comemorou, na Sala Paulo VI, os 80 anos de existência do Estado Cidade do Vaticano.

O Papa fez próprio o título do congresso organizado para estudar a história do Estado e, ainda que não pretendesse aprofundar «em um discurso sobre este evento histórico sobre o qual vários especialistas estão oferecendo sua contribuição», dedicou um reconhecimento «a todos que foram protagonistas destas oito décadas de história».

Bento XVI quis recordar especialmente o Papa Pio XI, quando, ao anunciar a assinatura dos Pactos Lateranenses e a constituição do Estado, fez sua a frase de São Francisco de Assis: «Ele disse que a nova realidade soberana era para a Igreja, como para o Pobrezinho, esse pouco de corpo que bastava para estar unido à alma.

O Papa pediu orações para que o Senhor «continue velando por este pequeno Estado», especialmente por «quem está dirigindo a Barca, o Sucessor de Pedro, para que possa desenvolver com fidelidade e eficazmente seu ministério a favor da unidade da Igreja Católica, que tem no Vaticano seu centro visível e se expande até os confins do mundo».

O concerto aconteceu na presença do Papa e da Cúria Romana, e consistiu na execução do Oratório «Messias» de Handel, pela Orquestra da Rádio Televisão Irlandesa (RTE) e pelo Coro da Catedral de Dublin, Our Lady's Choral Society, dirigido por Proinnsías Ó Duinn.

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Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Doente

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"Queridos irmãos e irmãs

No Dia Mundial do Enfermo, que celebramos em 11 de Fevereiro, memória litúrgica da Bem-aventurada Maria, Virgem de Lurdes, as Comunidades diocesanas reúnem-se com os seus bispos em momentos de oração, para reflectir e programar iniciativas de sensibilização sobre as realidades do sofrimento. O Ano Paulino, que estamos celebrando, oferece a ocasião propícia para determo-nos e meditarmos com o Apóstolo Paulo sobre o facto que, “assim como os sofrimentos de Cristo são copiosos para nós, assim também por Cristo é copiosa a nossa consolação” (2 Cor 1,5).

A relação espiritual com Lurdes evoca também a materna solicitude da Mãe de Jesus pelos irmãos de seu Filho “que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada” (Lumen Gentium, 62).

Este ano, a nossa atenção se dirige particularmente às crianças, criaturas mais frágeis e indefesas; e entre elas, às crianças enfermas e sofredoras. Pequenos seres humanos levam em seus corpos consequências de enfermidades que causam invalidez; outros lutam contra males hoje ainda incuráveis, não obstante o progresso da medicina e a assistência de válidos cientistas e profissionais do campo da saúde. Existem crianças feridas no corpo e na alma em conflitos e guerras, e outras ainda, vítimas inocentes do ódio de insensatas pessoas adultas. Existem meninos e meninas “de rua”, carentes do calor de uma família e abandonados a si mesmos; e menores profanados por pessoas sem escrúpulos, que violam a sua inocência, provocando sequelas psicológicas que as marcarão pelo resto da vida.

Não podemos ignorar o incalculável número de menores que morrem por causas como sede, fome, carência de assistência sanitária, assim como os pequenos refugiados, fugiram das suas terras com os pais em busca de melhores condições de vida. De todas estas crianças, eleva-se um silencioso grito de dor que interpela nossas consciências de homens e cristãos.

A comunidade cristã, que não pode ficar indiferente diante de situações tão dramáticas, sente o dever premente de intervir. Com efeito, como escrevi na Encíclica «Deus Caritas Est», “A Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário” (25, b). Auspicio, portanto, que o Dia Mundial do Enfermo ofereça também a oportunidade às comunidades paroquiais e diocesanas de assumirem sempre mais a consciência de ser “família de Deus”, e as encoraje a tornar visível em aldeias, bairros e cidades, o amor do Senhor, que pede que “na própria Igreja enquanto família, nenhum membro sofra porque passa necessidade.” (ibid.). O testemunho da caridade faz parte da própria vida de toda comunidade cristã. Desde os seus inícios, a Igreja traduziu os princípios evangélicos em gestos concretos, como lemos nos Actos dos Apóstolos. Hoje, apesar das novas condições de assistência sanitária, sente-se a necessidade de uma colaboração mais estreita entre os profissionais da saúde que actuam em diversas instituições médicas e as comunidades eclesiais presentes no território. Nesta perspectiva, confirma-se todo o seu valor do Hospital Pediátrico Menino Jesus, instituição ligada à Santa Sé que celebra este ano 140 anos de vida.

Vamos além. Visto que toda criança enferma pertence a uma família que compartilha seu sofrimento, frequentemente com graves dificuldades, as comunidades cristãs não podem deixar de ajudar os núcleos familiares atingidos pela doença de um filho ou filha. Seguindo o exemplo do “Bom Samaritano”, é preciso inclinar-se às pessoas tão duramente provadas e oferecer-lhes o amparo de uma solidariedade concreta. Desta forma, a aceitação e a partilha do sofrimento se traduzem em útil apoio às famílias das crianças doentes, gerando nestas um clima de serenidade e esperança, e fazendo sentir a seu redor uma ampla família de irmãos e irmãs em Cristo. A compaixão de Jesus pelo pranto da viúva de Nain (cfr Lc 7,12-17) e pela implorante oração de Jairo (cfr Lc 8,41-56) são, entre outras coisas, pontos de referência para aprender a compartilhar os momentos de aflição física e moral de tantas famílias. Tudo isso pressupõe um amor desinteressado e generoso, reflexo e sinal do amor misericordioso de Deus, que nunca abandona seus filhos na provação, mas lhes oferece sempre admiráveis recursos de coração e inteligência para serem capazes de enfrentar adequadamente as dificuldades da vida.

A dedicação quotidiana e o empenho contínuo ao serviço das crianças enfermas constituem um testemunho eloquente de amor à vida humana, de modo especial, à vida de quem é vulnerável e totalmente dependente dos outros. É preciso afirmar, com vigor, a absoluta e suprema dignidade de toda vida humana. Com o passar dos tempos, o ensinamento que a Igreja incessantemente proclama não muda: a vida humana é bela e deve ser vivida em plenitude, mesmo quando é frágil e envolvida no mistério do sofrimento. É a Jesus, crucificado, que devemos dirigir o nosso olhar: morrendo na Cruz, Ele quis compartilhar a dor de toda a humanidade. Em seu ‘sofrer por amor’, percebemos uma suprema co-participação aos sofrimentos dos pequenos doentes e de seus pais. Meu venerado predecessor, João Paulo II, que ofereceu um exemplo luminoso da aceitação paciente do sofrimento, especialmente no final de sua vida, escreveu: “Na Cruz está o «Redentor do homem», o Homem das dores, que assumiu sobre si os sofrimentos físicos e morais dos homens de todos os tempos, para que estes possam encontrar no amor o sentido salvífico dos próprios sofrimentos e respostas válidas para todas as suas interrogações " (Salvifici doloris, 31).

Desejo agora expressar o meu apreço e encorajamento às Organizações internacionais e nacionais que assistem as crianças doentes, especialmente nos países pobres, e que com generosidade e abnegação, oferecem a sua contribuição para assegurar-lhes cuidados adequados e amorosos. Ao mesmo tempo, dirijo um apelo aos responsáveis das Nações para que sejam reforçadas as leis e medidas em favor de crianças doentes e de suas famílias. A Igreja, por sua vez, como sempre, e ainda mais quando a vida de crianças está em jogo, se faz disponível para oferecer a sua cordial colaboração, na intenção de transformar toda a civilização humana em «civilização do amor» (cfr Salvifici doloris, 30).

Concluindo, gostaria de expressar a minha proximidade espiritual a todos vocês, queridos irmãos e irmãs que sofrem por alguma enfermidade. Dirijo uma saudação carinhosa às pessoas que os assistem: Bispos, sacerdotes, pessoas consagradas, agentes de saúde, voluntários e todos os que se dedicam com amor a curar e aliviar o sofrimento de quem é atingido pela doença. Uma saudação toda especial a vocês, queridas crianças enfermas e que sofrem: o Papa as abraça com carinho paterno, assim como a seus pais e familiares, e lhes assegura uma recordação na oração, convidando-os a confiar na materna ajuda da Imaculada Virgem Maria, que contemplamos mais uma vez no último Natal enquanto abraçava com alegria o Filho de Deus feito menino. Ao invocar para vocês e para todos os enfermos a materna protecção da Virgem Santa, Saúde dos Enfermos, concedo a todos, de coração, uma especial Bênção Apostólica".

Vaticano, 2 de Fevereiro de 2009

Tradução Rádio Vaticano com Agência ECCLESIA

Fonte: Zenit

Só a presença de Deus pode curar profundamente o homem, afirma Papa

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A ação da Igreja neste campo «mostra o rosto de Deus»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, domingo, 8 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa dedicou hoje sua tradicional reflexão durante a oração do Ângelus, com os peregrinos congregados na Praça de São Pedro, a refletir sobre a enfermidade, em linha com a mensagem para a Jornada Mundial do Enfermo, que será celebrada na próxima quarta-feira.

À luz do Evangelho do dia, o Papa recordou que «a experiência de cura dos enfermos ocupou boa parte da missão pública de Cristo e nos convida uma vez mais a refletir sobre o sentido e o valor da enfermidade em toda situação em que possa encontrar-se o ser humano».

Bento XVI quis refletir sobre a realidade da enfermidade, que, «ainda que faça parte da existência humana, nunca conseguimos habituar-nos a ela».

A razão, explicou, não é que «às vezes chegue a ser pesada e grave», mas que «essencialmente estamos feitos para a vida, para a vida completa».

«Nosso «instinto interior» nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, e mais, como Vida eterna e perfeita.

Quando somos provados pelo mal e nossas orações parecem resultar vãs, surgem em nós a dúvida e, angustiados, nos perguntamos: qual é a vontade de Deus?».

A esta profunda questão da existência humana quis responder Jesus com um sinal: as numerosas curas.

«Jesus não deixa dúvidas: Deus – do qual Ele mesmo revelou seu rosto – é o Deus da vida, que nos livra de todo mal», afirmou.

Neste sentido, as curas de Jesus «são sinais: guiam para a mensagem de Cristo, nos guiam para Deus e nos dão a entender que a verdadeira e mais profunda enfermidade do homem é a ausência de Deus, da fonte da verdade e do amor».

«Só a reconciliação com Deus pode dar-nos a verdadeira cura, a verdadeira vida, porque uma vida sem amor e sem verdade não seria verdadeira vida. O Reino de Deus é precisamente a presença de verdade e de amor, e assim é cura no profundo de nosso ser», acrescentou o Papa.

Ação da Igreja

Esta obra curativa de Jesus «se prolonga na Igreja», explica o Papa, mediante os sacramentos e mediante a assistência aos enfermos, que mostra «o rosto de amor de Deus».

«Quantos cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos – emprestaram e querem continuar emprestando em todas as partes do mundo suas mãos, seus olhos e seus corações a Cristo, verdadeiro médico dos corpos e das almas!», acrescentou o Papa.

O Papa pediu especialmente «por todos os enfermos, especialmente pelos mais graves, que não podem de nenhuma forma prover a si mesmos, mas que dependem totalmente dos cuidados de outros».

«Que cada um deles possa experimentar, na solicitude de quem está perto, o poder do amor de Deus e a riqueza de sua graça que nos salva», concluiu.

Por sua parte, o Papa anunciou que na quarta-feira, Jornada Mundial do Enfermo, tem previsto encontrar-se com os enfermos e os peregrinos que irão à Basílica de São Pedro, e deu uma especial benção «a todos os enfermos, aos agentes de saúde e aos voluntários de todas partes do mundo».

Papa viverá aniversário da morte de João Paulo II com jovens

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Em 2 de abril, ao anoitecer

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI viverá neste ano o 4º aniversário do falecimento de João Paulo II junto a milhares de jovens, segundo o calendário das celebrações presididas pelo Santo Padre publicado nesta quinta-feira.

Ele o fará presidindo em 2 de abril, às 18h, na basílica vaticana, uma santa missa à qual estão convidados em particular os jovens de Roma.

Será ao mesmo tempo o tradicional encontro que o Papa tem todos os anos com os jovens de sua diocese em preparação da Jornada Mundial da Juventude, que este ano se viverá no âmbito local, nas dioceses três dias depois, no Domingo de Ramos.

Bento XVI reviverá a noite de 4 anos atrás, na qual os fiéis que lotavam a Praça de São Pedro, muitos deles jovens, acompanharam a morte de Karol Wojtyla com a oração.

Trata-se de uma das celebrações destacadas no calendário do Papa previsto para o mês de fevereiro até abril, que se caracteriza também por sua primeira viagem à África.

Em 21 de fevereiro, o calendário prevê que às 11h, na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano, aconteça um consistório para algumas causas de canonização.

Em 25 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, o Papa participará, na basílica de Santo Anselmo, às 16h30, da procissão penitencial. Às 17h, na basílica de Santa Sabina, presidirá a santa missa, com a benção e imposição da cinzas.

Em 1º de março, primeiro domingo da Quaresma, na capela Redemptoris Mater do Vaticano, o Papa começará junto à Cúria Romana, às 18h, os Exercícios Espirituais. Concluirá às 9h de 7 de março.

Como já se anunciou, de 17 a 23 de março, o pontífice realizará sua viagem apostólica a Camarões e Angola.

Em 29 de março, V Domingo de Quaresma, o bispo de Roma realizará uma visita pastoral à paróquia romana da Santa Face de Jesus, no bairro popular da Magliana.

Três dias depois da celebração do aniversário de falecimento de João Paulo II, em 5 de abril, Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, às 9h30, o Papa abençoará as palmas e presidirá a procissão e a santa missa.

Como é tradição, em 9 de abril, Quinta-Feira Santa, às 9h30, na basílica vaticana, concelebrará a Santa Missa do Crisma com os sacerdotes e bispos presentes na Cidade Eterna.

Às 17h30, na basílica de São João de Latrão, catedral do Papa, ele dará início ao tríduo pascal, celebrando a Santa Missa da Ceia do Senhor.

Em 10 de abril, Sexta-feira Santa, às 17h, na basílica vaticana, participará da celebração da Paixão do Senhor. Às 21h15, no Coliseu, Via Sacra.

Em 11 de abril, Sábado Santo, às 21h, na basílica vaticana, o Papa dará início à Vigília Pascal da Noite Santa.

No Domingo de Páscoa, às 10h30, na Praça de São Pedro, celebrará a santa missa do Dia de Ressurreição. Às 12h, desde o balcão central da basílica, enviará a benção Urbi et Orbi, acompanhada ao vivo por canais de televisão do mundo inteiro.

Papa convida ao jejum e à esmola na Quaresma

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Atenção aos mais pobres, em especial os que vivem a ameaça da fome, nos apelos lançados desde o Vaticano

O Vaticano apresentou esta Terça-feira a mensagem de Bento XVI para a Quaresma, com um apelo ao jejum e à esmola nesse tempo de preparação para a Páscoa, tendo em vista a ajuda aos mais desfavorecidos.

O texto do Papa inspira-se numa passagem do Evangelho segundo São Mateus: “Jesus, após ter jejuado durante 40 dias e 40 noites, por fim, teve fome”.

Segundo Bento XVI, “escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente”.

“Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola”, aponta.

O Papa admite que, nos nossos dias, a prática do jejum “parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo”.

“Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus”, escreve.
Bento XVI procura explicar que “valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento”, frisando que a prática do jejum “pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo”.

Na conferência de imprensa em que foi apresentada a mensagem, Josette Sheeran, directora-executiva do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, disse que o apelo do Papa “ajuda-nos a recordar que a fome cresce em todo o lado”.

“Estar ao serviço de quem tem fome é um apelo moral que une os povos de todas as fés”, acrescentou.

Depois de ter apresentado uma série de projectos do PAM em vários países, Josette Sheeran defendeu que “cada um de nós tem uma escolha: passar sem parar junto de quem tem necessidade ou agir para ajudá-lo. Nesta Quaresma, escolhamos um mundo livre da fome”.

Já o Cardeal Paul Josef Cordes, Presidente do Conselho Pontifício "Cor Unum", frisou que é necessário um compromisso para “abrir o coração e as mãos a quem está em necessidade”.

Este responsável falou na expansão do mercado de “wellness” para sublinhar que a mensagem da Quaresma para 2009 entra “numa certa contradição com a tendência social”.

Depois de ter citado a importância do jejum no budismo e no islamismo, o Cardeal Cordes disse que para os cristãos, esta prática é mais do que “uma luta contra o poder da matéria sobre o homem”, estando aberta ao mundo.

O Presidente do Conselho Pontifício "Cor Unum" lembrou ainda, em conclusão, que é na Quaresma que as Dioceses procuram apoio financeiro para os seus projectos, olhando também para as Igrejas mais pobres.

Foto: Daylife

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2009

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“Jesus, após ter jejuado durante 40 dias e 40 noites, por fim, teve fome” (Mt 4, 2)

No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal). Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.

Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O "não comas" e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98). Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção. O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.

No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.

Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).

Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I). A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).
A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: L 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.

Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.

De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».

Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21). A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma. Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.

BENEDICTUS PP. XVI

Bento XVI: Jesus tinha um segredo

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Palavras antes do Ângelus de hoje

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu neste domingos ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
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Caros irmãos e irmãs!Este ano, nas celebrações dominicais, a liturgia propõe para a nossa meditação o Evangelho de São Marcos, do qual uma singular característica é o assim chamado «segredo messiânico», o fato de Jesus não querer que por enquanto se saiba, fora do grupo restrito dos discípulos, que Ele é o Cristo, o Filho de Deus. Eis, então, que sempre volta a exortar, seja os apóstolos, seja os doentes, que cuidem para não revelar a ninguém sua identidade. Por exemplo, o trecho evangélico deste domingo (Mc 1, 21-28) narra um homem possuído pelo demônio, que de repente começa a gritar: «Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste nos arruinar? Sei quem és: o santo de Deus!». E Jesus o intima: «Cala-te! Sai dele!». E rapidamente, nota o evangelista, o espírito maligno, com gritos agonizantes, sai daquele homem. Jesus não só expulsa os demônios das pessoas, libertando-as das piores escravidões, mas impede aos próprios demônios de revelarem sua identidade. E insiste sobre este «segredo» porque está em jogo o sucesso de sua missão, da qual depende nossa salvação. Sabe, de fato, que para libertar a humanidade do domínio do pecado, Ele deverá ser sacrificado sobre a cruz como verdadeiro cordeiro pascal. O diabo, por sua vez, busca dissuadir-lhe para derrotá-lo sob a lógica humana de um Messias poderoso e cheio de sucesso. A cruz de Cristo será a ruína do demônio, e é para isso que Jesus não deixa de ensinar aos seus discípulos que, para entrar na sua glória, Ele deve padecer muito, ser rejeitado, condenado e crucificado (cf. Lc 24, 26), pois o sofrimento faz parte de sua missão.
Jesus sofre e morre na cruz por amor. Desse modo, Ele deu sentido ao nosso sofrimento, um sentido que muitos homens e mulheres de todas as épocas entenderam e tornaram seu, experimentando serenidade profunda também no amargor de duras provas físicas e morais. E justamente «a força da vida no sofrimento» é o tema que os bispos italianos escolheram para a conhecida Mensagem por ocasião da atual Jornada pela Vida. Uno-me de coração às suas palavras, nas quais se vê o amor dos pastores pelo povo, e à coragem de anunciar a verdade, a coragem de dizer com clareza, por exemplo, que a eutanásia é uma falsa solução para o drama do sofrimento, uma solução indigna do homem. A verdadeira resposta não pode ser a da morte, por mais que seja «doce», e sim o testemunho do amor que ajuda a enfrentar a dor e a agonia de forma humana.
Tenhamos certeza de uma coisa: nenhuma lágrima, nem de quem sofre, nem de quem lhe está próximo, se perde diante de Deus.
A Virgem Maria guardou em seu coração de mãe o segredo de seu Filho; compartilhou com ele a hora dolorosa da paixão e da crucifixão, apoiada na esperança da ressurreição. A Ela confiamos as pessoas que estão em sofrimento e quem se esforça todos os dias por seu sustento, servindo a vida em todas as suas fases: genitores, agentes da saúde, sacerdotes, religiosos, pesquisadores, voluntários e muitos outros. Rezamos por todos eles.
[Tradução: José Caetano. Revisão: Aline Banchieri.
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Fevereiro: Papa pede orações pelos pastores da Igreja

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Para que sejam fiéis ao Espírito Santo

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI pediu que, durante este mês de fevereiro, os fiéis rezem para que os pastores da Igreja sejam fiéis à ação do Espírito Santo.

Esta é a proposta das intenções do Apostolado da Oração, iniciativa seguida por cerca de 50 milhões de pessoas dos 5 continentes, para este mês que começa.

O Papa apresenta duas intenções de oração, uma geral e outra missionária.

A intenção geral deste mês é: «para que os pastores da Igreja sejam cada vez mais dóceis à ação do Espírito Santo em seu ensinamento e em seu serviço ao povo de Deus».

E a intenção missionária é: «para que a Igreja a África encontre caminhos e meios adequados para promover eficazmente a reconciliação, a justiça e a paz, seguindo as indicações da II Assembléia Especial para a África, do Sínodo dos Bispos».

Arquidiocese de Fortaleza celebra os 50 anos de sacerdócio do cardeal Cláudio Hummes

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Neste domingo, 1º de fevereiro, a arquidiocese de Fortaleza (CE) homenageia o prefeito da Congregação para Clero, cardeal Cláudio Hummes, por ocasião dos 50 anos de sua ordenação presbiteral, que ocorreu no dia 3 de agosto de 2008.

A homenagem acontecerá na catedral metropolitana de Fortaleza e terá a participação do arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, de padres e leigos.

Dom Cláudio foi o quinto arcebispo de Fortaleza. Exerceu o ministério episcopal na capital cearense de julho de 1996 a abril de 1998, quando foi transferido para a arquidiocese de São Paulo (SP).
Segundo informações do site da arquidiocese de Fortaleza, dom Cláudio, durante os dois anos que governou a arquidiocese de Fortaleza, o fez com dedicação, coragem e sabedoria. “O tempo foi pouco, mas soube cativar o carinho, a amizade e o apreço dos católicos de Fortaleza”.
Fonte: CNBB

Bento XVI relembra os 50 anos do anúncio do Concílio Vaticano II

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Na tarde deste domingo, 25, o papa Bento XVI presidiu as II vésperas da solenidade da conversão de São Paulo, na basílica de São Paulo Fora dos Muros, com a qual encerrou a semana de oração pela Unidade dos Cristãos no hemisfério norte. Representantes anglicanos, luteranos e do patriarcado ortodoxo de Constantinopla estiveram presentes na cerimônia.

"De fato, a unidade requer uma conversão: da divisão à comunhão, da unidade ferida à unidade restaurada e plena. Esta conversão é dom de Cristo ressuscitado, como aconteceu com São Paulo", afirmou o pontífice durante a homilia. O tema da Semana foi retirado do livro do profeta Ezequiel 37, 17, que diz "Que formem uma só coisa em tua mão".

Bento XVI explicou ainda que a unidade que Deus doa à sua Igreja é a comunhão no sentido espiritual, na fé e na caridade, mas esta unidade em Cristo é fermento de fraternidade também no plano social, nas relações entre as nações e para toda a família humana.

O papa também falou sobre a Terra Santa e disse que é importante os fiéis que lá vivem, bem como os peregrinos que a visitam, oferecerem seus testemunhos de que a diversidade não é um obstáculo para a unidade, mas “riqueza na multiplicidade”.

Ao concluir a homilia, ele lembrou dos 50 anos do anúncio do Concílio Vaticano II, que aconteceu em 25 de janeiro de 1959, pelo bem-aventurado papa João XXIII, quando ele manifestou pela primeira vez o desejo de convocar “um Concílio Ecumênico para a Igreja Universal”. Segundo Bento XVI, foi daquela “providente decisão que nasceu uma fundamental ajuda ao ecumenismo.

Informações: Rádio Vaticano

Fonte: CNBB